Irão. EUA intensificam ofensiva aérea com ataques a pontes e porto estratégico

Irão. EUA intensificam ofensiva aérea com ataques a pontes e porto estratégico

A imprensa iraniana avançou que oito pessoas foram mortas e outras 20 ficaram feridas em ataques norte-americanos contra infraestruturas no sul e no oeste do país.

RTP / Adicionar como fonte informativa
U.S. Central Command via Reuters

Os Estados Unidos intensificaram esta sexta-feira a campanha aérea contra o Irão, atingindo pontes e um porto estratégico iraniano, numa escalada que visa pressionar Teerão a aliviar o bloqueio ao Estreito de Ormuz.

"Infraestruturas foram alvo de ataques norte-americanos em várias províncias" do Irão, indicou a agência oficial Irna, referindo oito mortos e 20 feridos nestes ataques.

Segundo a mesma fonte, seis pontes foram atingidas na província meridional de Hormozgan, junto ao Estreito de Ormuz.

Os ataques aparentam ter como objetivo cortar o acesso a Bandar Abbas, principal porto iraniano, dificultando o transporte de material militar e bens essenciais para os cerca de 90 milhões de habitantes do país, escreveu a agência de notícias Associated Press.

"Se os americanos atacarem as infraestruturas da República Islâmica, então todas as infraestruturas da região tornar-se-ão alvos legítimos para o Irão", ameaçou um porta-voz do Exército iraniano, citado pela televisão estatal.EUA confirmam ataques

O Comando Central norte-americano (Centcom) confirmou que os bombardeamentos, concluídos esta madrugada, atingiram dezenas de alvos militares, incluindo uma torre de vigilância no porto de Chabahar, no golfo de Omã, considerado vital para o comércio do vizinho Afeganistão.

O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, divulgou imagens do colapso da estrutura, reforçando a mensagem de controlo norte-americano sobre o Estreito.

A ofensiva ocorre após o colapso do cessar-fogo acordado no mês passado, com dias de ataques sucessivos entre Washington e Teerão. Autoridades iranianas afirmam que as operações norte-americanas já provocaram dezenas de mortos e centenas de feridos, com novas baixas registadas hoje.

Em resposta, o Irão lançou mísseis contra países aliados dos EUA na região, incluindo o Catar - um dos mediadores nas negociações de paz -, onde explosões foram ouvidas e os destroços feriram uma criança.

Também o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia reportaram ataques ou interceções de projéteis iranianos. Explosões foram ainda registadas em Erbil e Suleimânia, no Curdistão iraquiano.Trump garante que guerra "está a correr bem"

O presidente norte-americano voltou a ameaçar atingir centrais elétricas e pontes iranianas, insistindo hoje, num discurso à nação, a partir da Casa Branca, que "a guerra está a correr bem" e que os resultados serão visíveis "muito em breve".

O bloqueio naval imposto pelos EUA sobre portos iranianos já reduziu em quase um quarto o tráfego de mercadorias através do Estreito de Ormuz no início do mês, de acordo com dados da Lloyd`s List Intelligence. Algumas transportadoras desligaram os sistemas de localização para atravessar a zona, enquanto outras optaram por suspender operações.

O Centcom revelou ainda que três navios comerciais foram redirecionados, um foi desativado por não cumprir ordens e outro foi abordado para garantir "plena conformidade" com o bloqueio.

Desencadeado em 28 de fevereiro por bombardeamentos israelitas e norte-americanos, o conflito já matou milhares de pessoas, principalmente no Irão e no Líbano, e continua a desestabilizar a economia global.

Os preços do petróleo mantêm-se relativamente estáveis apesar da situação, com o barril de petróleo Brent a rondar os 85 dólares.

c/ Lusa

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